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AMÂNCIO E GENÉSIO

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Eles eram gêmeos idênticos. Nasceram no Pombeva, na Ilha Comprida, a antiga Ilha do Mar, de antiga família de caiçaras. Durante muitos anos moraram no tradicional bairro da Folha Larga (hoje Canto do Morro). 
Figuras folclóricas na cidade, possuíam uma maneira peculiar de se expressar. Criaram uma linguagem própria, modificando a terminação das palavras, acrescentando o sufixo "rione" ou "one". Em vez de "cuscuz", diziam "cuscurione", etc. 
Contavam histórias que cativavam. Certa vez, montaram um avião de madeira e colocaram em cima de uma árvore. Não deu outra: se esborracharam no chão. 
Eram amigos das crianças, que o adoravam. 
O editor deste fotoblog está pesquisando sobre a vida desses dois personagens já lendários de nossa cidade. Quem se lembrar de "causos" ou informações sobre os gêmeos Amâncio e Genésio, queiram postar nesta página. 
Texto: Roberto Fortes. Foto: Genésio, à esquerda, e Amâncio, à direita, em foto tirada nas imediaçõe…

AMÉRICO MÂNCIO

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Américo Mâncio nasceu em Iguape no dia 5 de agosto de 1903, filho do casal Agostinho Mâncio e dona Cesarina Maria Gomes Mâncio. Teve um irmão, João Benedito Mâncio, pai do senhor Irineu Mâncio.
Pessoa muito popular e estimada em seu tempo, Américo Mâncio foi um dos mais característicos tipos populares de nossa cidade, destacacando-se como esportista e também como carnavalesco. Jogou e fundou vários times de futebol na cidade, além de ser destaque nos desfiles de Carnaval em seu tempo.
O ESPORTISTA
    Goleiro (deitado) do São Paulo FC, em 21-1-1934.
Desde cedo, Américo demonstrou um grande talento para o futebol. Jogou nos principais times da cidade, como goleiro, tendo também atuado como treinador, formando várias gerações de esportistas. Em seus tempos de rapaz, jogou no time Minas Futebol Clube, surgido em 1927, formado por jovens da rua da Palha, onde também jogavam Theophilo Fortes, Nico, Miloca, Armando Carneiro, Ovídio Santos, Totó do Vale, João Pedro, Velho, Appio Rocha, entre…

NHANHÁ TARGINA

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Iguape, em todas as épocas, sempre teve os seus tipos populares. Entre eles, merece especial destaque a figura sempre lembrada e inconfundível de Anna Lisboa, ou melhor, a pitoresca “Nhanhá Targina” ou "Nhanhá Boi".
Anna Lisboa era irmã de Marçal Lisboa, grande músico iguapense, exímio clarinetista. Era prima, dentre outros, dos senhores Manoel Santiago da Silva (que foi contador em Iguape); João Bonifácio da Silva (contador e ex-prefeito de Iguape); e Antônio Felipe da Silva (outro notório personagem iguapense que, quando a sua mãe pedia para comprar fósforos no comércio local, ele seguia a linha do telégrafo até Santos, de onde retornava, dias depois, com a caixa de fósforos).
Nhanhá Targina morava numa casa onde hoje se localiza a loja “Simões Calçados”, à Rua Paulo Moutinho (ou melhor, no espaço hoje compreendido por essa loja, existiam, antigamente, as casas de Nhanhá Targina e de dona Perpétua Lustosa). Morava em sua casa uma outra mulher, chamada Isabel, que, mais tar…

A HISTÓRIA DA VALSA "SAUDADES DE IGUAPE"

No ano de 1907, os músicos João Batista do Nascimento, hábil pistonista, natural de Amparo (SP), e Juvenal Monte Alegre, contrabaixista, vieram a Iguape para completar o conjunto musical sob a regência do maestro Joaquim José Rebello (Quincas), durante a Festa de Agosto.
Os músicos vinham a bordo de um vapor do Lloyd Brasileiro. Após prolongada tempestade, o mar estava muito agitado. Por isso, a embarcação teve que aportar por dois ou três dias na ilha do Bom Abrigo, próxima à barra de Cananeia. Na manhã do dia 1º de agosto, o vapor conseguiu transpor a barra em direção a Iguape.
A cidade era velha conhecida de João Batista, onde tinha muitos amigos. Reza a crônica que a saudade que sentiu da cidade e dos amigos fez com que o músico criasse as primeiras notas de uma valsa. Chegando a Iguape, no dia seguinte, 2 de agosto, o maestro Rebello fez as partituras da valsa, que passou a se chamar “Saudades de Iguape”.
A valsa foi executada nesse mesmo dia pela banda Euterpe Paulista, regida pe…

"NOSTALGIA DA COLÔNIA KATSURA"

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Publicado em 2007 pela Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, o livro “Nostalgia da Colônia Katsura”, escrito por Onofre Sakagawa, narra a epopeia da família Sakagawa, que vinda do Japão instalou-se na Colônia Katsura, bairro Jipovura, município de Iguape (SP).
Seu pai, Zensaku Sakagawa, chegou ao Brasil em 1914 e trabalhou em fazendas na região da Mogiana. Sua mãe, Naoe Yokoya, chegou ao nosso país em 1918, junto com o irmão e esposa, indo para a Colônia Katsura. Em 1922, Zensaku transferiu-se para Katsura. Ali conheceu Naoe, casaram-se e tiveram três filhos: Naoto, Onofre e Tomizo.
Em suas memórias, Onofre Sakagawa, nascido em Katsura no dia 18 de junho de 1924, conta como era difícil a vida na colônia, com as dificuldades de transportes, assistência médica e falta de comidades. Mas relembra com saudade a felicidade que reinava em sua família e as brincadeiras infantis pelas matas circundantes.
Recorda também dos falecimentos sucessivos da mãe e d…

BANDA "EUTERPE PAULISTA"

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O major Joaquim José Rebello (1856-1926), também conhecido como “Quincas Rebello”, considerado o decano dos maestros iguapenses, fundou na cidade várias bandas de música. Destacaremos hoje a Banda Musical “Euterpe Paulista”, que foi fundada em 19 de junho de 1897. A sua estreia deu-se em 2 de fevereiro de 1898. Euterpe, uma das nove musas da mitologia grega, era a musa da Música.

            Essa banda tinha Santa Cecília como protetora. A “Euterpe” solenizava a festa da santa todo dia 22 de novembro, com setenário, missa cantada, procissão e ainda leilão de prendas.
            Assumindo a Intendência Municipal de 1902 até 1905, e a vereança até 1916, Rebello passou a direção da banda, nesse período, ao seu discípulo Joaquim Germano Massa, pai do saudoso maestro Paulo Massa. Sob a direção de Joaquim Massa, a banda “Euterpe Paulista” tocou durante alguns anos, até que foi dissolvida.
            Somente no dia 16 de março de 1915, Quincas Rebello voltaria a reorganizá-la, dirigindo-a, e…

RUA XV DE NOVEMBRO EM 1954

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A Rua XV de Novembro está entre os logradouros mais antigos da cidade Era chamada originalmente de “Rua da Glória”. Depois da Proclamação da República, em 1889, o seu nome foi mudado para “Rua XV de Novembro”.
Nesta foto, publicada na revista “Brasil Revista”, do Rio de Janeiro (número 38, 1954), vemos um ângulo pouco fotografado dessa rua. Percebemos que os casarões ainda se conservam praticamente do mesmo jeito, destacando-se, no lado direito, o imponente "Sobrado do Comendador" (Paço Municipal “Prefeito Carlos Fausto Ribeiro”, atualmente em fase de reforma, pelo Iphan), imóvel que pertenceu ao legendário comendador Luiz Álvares da Silva (1808-1883), um dos homens mais ricos e influentes do sul de São Paulo no tempo do Império. O comendador Álvares foi deputado provincial por Iguape.
Vemos cinco despreocupadas crianças brincando no chão de terra. Estariam jogando bolinhas de gude? Um deles, em pé, de cabeça abaixada, está vestido de calça social, com colete e até usando sapa…